Parábola da faixa preta1
Imagine um lutador de artes
marciais ajoelhado na frente do mestre sensei numa cerimônia
para receber a faixa preta obtida com muito suor. Depois de anos
de treinamento incansável, o aluno finalmente chegou ao auge do
êxito na disciplina.
“Antes que lhe dê a faixa, você que passar por um outro teste”,
diz o sensei.
Estou pronto” responde o aluno, talvez esperando pelo último
assalto da luta.
“Você tem que responder à pergunta essencial: Qual é o
verdadeiro significado da faixa preta?”.
“O fim da minha jornada”, responde o aluno. “Uma recompensa
merecida por meu bom trabalho”.
O sensei espera mais. É obvio que ainda não esta satisfeito. Por
fim, o sensei fala. “Você ainda não esta pronto para a faixa
preta. Volte daqui a um ano”.
Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei.
“Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?”. Pergunta o
sensei.
“Ela é o símbolo da excelência e o nível mais alto que se pode
atingir em nossa arte”, responde o aluno.
O sensei não diz nada durante vários minutos, esperando. É óbvio
que ainda não está satisfeito. Por fim, ele fala. “Você ainda
não esta pronto para a faixa preta. Volte daqui um ano”.
Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei.
E mais uma vez o sensei pergunta: “Qual é o verdadeiro
significado da faixa preta”.
“A faixa preta representa o começo – o início de uma jornada sem
fim de disciplina, trabalho e a busca por um padrão cada vez
mais alto”, responde o aluno.
“Sim. Agora você esta pronto para receber a faixa preta e
iniciar o seu trabalho”.
Por Eduardo A. de Paula
Dojo Tada Ima
Irimi e Tenkan2
Quando o corpo não segue a
vida a mente do homem se agita, as contradições martirizam a
consciência os músculos retesam, a coluna dobra, A boca seca, a
respiração se interrompe.
Lembre-se do Yin e do Yang, do "DO".
As idéias se encaixam, as contradições se fundem, a energia
nasce no sincretismo.
Respire fundo, relaxe, sinta seu centro.
Perceba as vibrações de seu corpo em ressonância com o universo,
que vibra com você, na mesma nota.
Seu Espírito ficara calmo.
E um profundo sentimento de Paz e Harmonia repousara no coração.
E seu ser fluirá ondularmente sobre os movimentos circulares, Do
Irimi e do Tenkam.
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Keiko3
A
mente e a filosofia de Matsuo Haruna
Como artista marcial (pelo menos um jovem artista marcial), como
pessoa que acredita e pratica o Budo, acredito ser muito
importante o estudo da história e das origens da arte escolhida,
e também das outras artes. Para mim, conhecer o máximo possível
sobre quem, onde, por que e como em relação às raízes de uma
arte marcial é crucial para a completa compreensão dela, o que
eu creio que dá à prática um significado mais profundo e
completo. O estudo da história das artes marciais permite que se
pegue o que é antigo e o aplique ao que é novo; compreender o
antigo – às vezes ancestral – princípio de nosso estudo nos dá a
habilidade de encontrar uma razão para nosso treino de hoje. A
sociedade, a época e as armas podem variar, mas os princípios do
antigo permanecem os mesmos, como as raízes de uma árvore,
afetando e influenciando a humanidade em um nível abaixo da
superfície.
Acredito que o estudo de sua história também é uma forma de
homenagem e respeito às pessoas que são os pioneiros destas
artes. Todas as formas e estilos de combate começaram com estes
indivíduos colocando totalmente suas energias criativas e suas
vidas no desenvolvimento de uma forma física, mental, e
espiritual de autodefesa. Mesmo que nenhum verdadeiro artista
marcial ou sensei aceite esta forma de “adoração”, é a estes
homens e mulheres que devemos nossas práticas.
Dito isso, decidi devotar este artigo a outro indivíduo que, do
meu ponto de vista, serviu como inspiração e fonte de
direcionamento para muitos Iaidoka. O que eu descobri sobre este
homem é o que eu acho que deve ser compartilhado. Suas
realizações e sua atitude em relação a keiko é algo que todos
podemos usar como aprendizado. Este homem é Matsuo Haruna
Sensei.
Uma das coisas mais impressionantes que descobri sobre Haruna
sensei é que ele começou a treinar já com idade avançada. Ele
nasceu em 1925, mas ó começou a treinar iaido em 1972 – com 46
anos de idade. É uma idade em que as pessoas acham que são muito
velhas para começarem qualquer coisa, quanto mais começar a
treinar uma arte marcial! Mas Haruna sensei fez isso, e obteve
grandes progressos no curto período entre 1972 e seu falecimento
em 2002. Ele recebeu a graduação de Hachidan, e o titulo de
Hanshi, no Muso Jikiden Eishin Ryu.
Ele foi o professor exigente e diretor do Musashi Dojo de Ohara,
que recebeu o nome do lendário espadachim Miyamoto Musashi. Ele
participou de cerca de 250 competições locais e nacionais e de
demonstrações no Japão; perdeu 12 vezes, ficou em 3º lugar oito
vezes e em 2º lugar 28 vezes, e uma dessas vezes foi em sua
primeira competição nacional em 1978, em que ele ficou em
segundo lugar. Ele recebeu o prêmio de Melhor Espírito de Luta
45 vezes, e o prêmio Espírito de Luta Especial (que é acima do
“Melhor”) 15 vezes. Nas demais vezes, ele venceu.
Apesar de seu impressionante registro de competições, Haruna
sensei não treinava para shiai. Para ele, shiai era apenas outra
forma de treinamento. Ele acreditava que não importava o que
fosse, shiai – demonstração, competição, exame – ou keiko
(prática), sua atitude deveria ser exatamente a mesma – e é essa
atitude é o que você deve treinar, como se sua vida dependesse
disso!! Haruna sensei acreditava que a chave para o
desenvolvimento de seu treinamento é levá-lo a sério. Sem essa
atitude, sua prática sofre, e sua habilidade também. É a
concentração, e um profundo foco nos fundamentos, o que permite
o avanço de uma pessoa.
Apesar de eu nunca ter tido a oportunidade de estudar ou treinar
com Haruna sensei, agradeço por sua vida, sua influência e sua
contribuição para o iaido e os iaidoka. Isso reforçou minha
compreensão, e tenho certeza que de outras pessoas, das artes
marciais.
Haruna Matsuo Sensei, shitsurei shimasu!!!
Tradução - Jaqueline Sá Freire (Brazil Aikikai - Hikari Dojo – Rio de Janeiro)
A alegria do Aikido4
Desde o início
, o AIKIDO preferiu não limitar os estudantes com muitas regras
e regulamentos. Sentia-se que elas eram desnecessárias ,porque
os estudantes vieram para o Dojo por sua própria iniciativa e a
maioria estava procurando algum objetivo através do treinamento
do Aikido. Em conseqüência seria de esperar que eles observassem
a maneira adequada de comportamento.
Esta atitude básica dava ênfase ao princípio de nunca recusar a
admissão a qualquer um que tivesse apto e nunca tentar trazer de
volta aquele que partisse. Aqueles que entraram por sua própria
escolha naturalmente observariam a etiqueta do Dojo. Aqueles que
partiram , não teriam qualquer necessidade de suas regras e
regulamentos. Em lugar de cercear os estudantes,
desnecessariamente, a tendência era de deixas que os
acontecimentos seguissem o seu curso natural.
Uma razão para explicar esse comportamento , era o fato de que,
quando o Fundador- Morihei Ueshiba, foi levado pela primeira vez
a abrir um Dojo de Aikido , os estudantes originais eram homens
maduros e experientes , de bom senso , líderes reconhecidos em
suas atividades. Sendo pessoas com um forte
sentido de responsabilidade e decoro. Não havia necessidade de
códigos de comportamento no Dojo. O fundador do Aikido
entrevistava cada pessoa interessada em ingressar na academia e
era muito seletivo. O fundador não aceitava qualquer um ! Nenhum
fator externo poderia influenciar a quem ele tomaria como
estudante, depois de admitido o praticante encontraria no Dojo
um rigoroso programa de treinamento.
Embora os estudantes não estivessem restritos por regras e
regulamentos, eles recebiam uma carga muito pesada a que , no
entanto , eles assumiam por sua própria vontade , correspondente
a exigência disciplinar requerida na prática do Aikido.
Tempos depois, com o grande aumento de praticantes , houve
solicitações de regulamentos para o Dojo. Então, um dia , os
estudantes mais graduados foram a O-sensei e lhe explicaram a
situação. O-sensei sorriu e disse: E, então, os tempos mudaram
!" . Ele então escreveu rapidamente as seguintes seis regras que
tornaram-se conhecidas como "Guia para a prática do Aikido".
1-O Aikido pode decidir a vida e a morte em um único encontro, e
por isso os estudantes devem seguir cuidadosamente o ensinamento
do instrutor e não competir para ver quem e' mais forte.
2-O Aikido e' o caminho que ensina como alguém pode lidar com
diversos inimigos. Os estudantes devem treinar-se para estar
alerta não apenas a sua frente mas a todos os lados e as costas.
3-O treinamento deve ser sempre conduzido em uma atmosfera
agradável e divertida.
4-O instrutor ensina apenas um pequeno aspecto da arte. As suas
aplicações versáteis devem ser descobertas por cada estudante,
através de incessante prática e treinamento.
5- Na prática diária inicie apenas movendo seus corpo e então
avance para um treino mais intensivo. Nunca force nada de modo
antinatural ou não razoável.
Se esta regra for seguida, mesmo pessoas idosas poderão treinar
em uma atmosfera divertida e agradável.
6-O propósito do Aikido é treinar a mente e o corpo, e produzir
pessoas sinceras e sérias . Como todas as técnicas devem ser
transmitidas de pessoa a pessoa, não as revele ao acaso, pois
poderiam serem usadas de modo inadequado. Como estas regras
foram escritas , em 1935 , sua maneira parece arcaica, mas os
seus pontos principais são válidos ainda hoje.
Em resumo, seus pontos chaves são:
1-O Aikido não poderá ser ensinado a não ser para a pessoa que
siga estritamente o ensinamento do instrutor.
2-No Aikido , como arte marcial , a pessoa deve procurar
permanecer alerta para tudo o que se passa ao seu redor, não
deixando nenhuma abertura vulnerável(suki).
3-A prática torna-se alegre e agradável uma vez que se tenha
treinamento o suficiente para não se incomodar com a dor.
4- Não se contente com o que foi ensinado no Dojo. A pessoa deve
constantemente digerir , e desenvolver o que aprendeu.
5- A pessoa não deveria nunca forçar as coisas de modo
antinatural ou razoável. Ela deveria empreender o treinamento de
modo ajustado ao seu corpo , sua condição física e idade.
6-O objetivo do Aikido é a verdadeira natureza humana. Ele não
deve ser usado para exibir o ego.
Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se
dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria
a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de
escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica
da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro
movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para
reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade
fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido
uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para
derrotá-lo, e aumentar sua fama. Todos os estudantes se
manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio.
Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar
o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em
seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo
inclusive seus ancestrais. Durante horas fez tudo para
provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final
da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso
guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato do mestre aceitar
tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:
- "Como o senhor pode suportar tanta indignidade ? Por que não
usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés
de mostrar-se covarde diante de todos nós ?
- "Se alguém chega até você com um presente, e você não o
aceita, a quem pertence o presente ?" - perguntou o samurai.
- "A quem tentou entregá-lo." - respondeu um dos discípulos. -"O
mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos." - disse o
mestre.
- "Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os
carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de
você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você
permitir..."
A compreensão do Básico5
DA importância
de uma sólida compreensão das técnicas básicas não pode ser
deixada de lado.
Muitas escolas de Aikido ensinam principalmente Ki no Nagare, ou
seja técnicas com fluidez de Ki. Neste tipo de treinamento, as
técnicas são executadas a partir de um movimento inicial
dispensando totalmente a prática básica onde você permite ser
agarrado firmemente. Este tipo de prática pré-arranjada é bem
sucedida somente quando ambos os parceiros cooperam
completamente. Problemas ocorrem, no entanto, quando estudantes
acostumados somente com este tipo de treinamento são
confrontados com um oponente forte e não cooperativo.
Treinando-se somente Ki no Nagare fica-se totalmente
despreparado para a força e ferocidade de um ataque real. Os
ataques fracos e não diretos realizados neste tipo de
treinamento são comuns no moderno Aikido, no entanto este modo
de treinamento é totalmente contrário aos princípios marciais
ensinados pelo fundador.
Aqueles que praticam as técnicas básicas, opostamente àqueles
que treinam exclusivamente as técnicas em Ki no Nagare, aprendem
como lidar progressivamente com ataques fortes. A fim de
realizar isto, você deve estar certo de que quando estiver
agarrando seu parceiro de treinamento, esteja fazendo-o
firmemente e com uma real intenção. Se seu parceiro é incapaz de
mover-se, então diminua a força de seu ataque até que ele ou ela
seja capaz de executar uma técnica apropriada. Sempre regule a
intensidade de seu ataque ao nível de seu parceiro.
No treinamento básico, todas as técnicas começam a partir de um
Hanmi, ou postura preparatória. O Hanmi no Aikido é uma postura
triangular com o pé da frente voltado para frente e o pé de trás
perpendicular ao frontal e voltado para o lado . A capacidade de
mudar de posição rapidamente mantendo-se estável e girando os
quadris completamente, depende de um apropriado Hanmi. As duas
posições mais comuns são: Gyaku Hanmi (posição invertida) e Ai
Hanmi (posição igual). Em Gyaku Hanmi você e seu parceiro têm os
pés opostos a frente, enquanto que em Ai Hanmi ambos têm o mesmo
pé a frente. Esta distinção é muito importante e, na maioria das
vezes, o sucesso na execução das técnicas do Aikido dependerá de
iniciá-las no Hanmi apropriado.
Uma deficiência comum no treinamento de hoje é a falta da
prática dos Atemi, ou ataques em pontos vitais. Os Atemi são
usados para enfraquecer ou neutralizar um ataque do oponente
para criar-se assim uma situação favorável na qual pode-se
executar uma técnica. Em muitas situações é virtualmente
impossível desequilibrar um oponente forte, suficientemente para
aplicar uma técnica sem recorrer-se ao Atemi. Aqueles que
afirmam que o uso de tais ataques (executados com o intuito de
tirar atenção do oponente do objetivo principal da técnica) é
muito violento ou “não é Aikido” ignoram os conceitos do Aikido
ensinados pelo fundador que dava grande ênfase sobre a
necessidade de tais movimentos durante o treinamento. Os Atemi
são uma parte essencial das técnicas básicas e também avançadas,
e não devem ser omitidos de sua prática.
O fundador sempre iniciava as sessões práticas com os exercícios
de Tai no Henko e Morote Tori Kokyo Ho. Ele terminava cada
prática com o treinamento de Suwari Waza Kokyu Ho. Os exercícios
de Tai no Henko constituem a base dos movimentos Ura, ou
movimentos girando, e os dois Kokyu Ho, ou métodos de respirar,
ensinam como respirar corretamente, a coordenação apropriada do
corpo e como estender o Ki intensamente.
No treinamento do Aikido nós abrimos nossos dedos para estender
o Ki através dos braços.
Abrir os dedos é uma forma de aprender as técnicas básicas, um
treinamento que permitirá a você executá-las sem usar qualquer
força. Abrindo os dedos quando seu pulso é subitamente agarrado
torna-o mais grosso, e dá à você uma vantagem. Para aqueles
aprendendo defesa pessoal é dito para abrirem seus dedos quando
agarrados porque o braço torna-se difícil de segurar.
O Ki é algo adquirido naturalmente através da correta prática
dos fundamentos básicos.
Se você se preocupar de mais com o Ki, você será incapaz de
mover-se. O Ki se manifestará por si mesmo naturalmente se você
estiver treinando corretamente. Uma vez que você tenha
desenvolvido o Ki, este fluirá livremente através de suas mãos
mesmo quando seus dedos estiverem relaxados.
O fundador considerava as técnicas de Ikkyo até Sankyo como
sendo movimentos preparatórios ao Aikido. No Ikkyo você treina
seu corpo; no Nikyo você Dobra seu pulso para dentro estimulando
e fortalecendo as juntas; no Sankyo você move seu pulso para
fora na direção oposta. Através da prática destas técnicas, você
desenvolve um corpo capaz de derrotar um inimigo com um único
golpe. Estas técnicas básicas são sua preparação, e o
treinamento nas técnicas do Aikido começa através delas.
Outra parte essencial do treinamento dos fundamentos do Aikido é
o domínio da entrada e dos movimentos de giro. Se você decide
avançar, você deve avançar totalmente. Se você decide girar para
trás deve fazê-lo completamente. É difícil avançar depois de
desviar um golpe, a menos que você possua uma vantagem em força.
Portanto, gire sempre que necessário, como quando estiver em uma
situação onde você seja incapaz de bloquear.
A prática de técnicas girando é também necessária para se
aprender como mover-se livremente.
Recentemente, o Termo “Takemusu Aiki” tem sido usado bastante
livremente, porém parece que poucas pessoas compreendem seu
significado. Takemusu Aiki refere-se à um estado onde técnicas
nascem infinitamente como resultado do estudo dos princípios do
Aikido.
No treinamento do Aikido – que inclui técnicas de mãos vazias,
Aiki Ken e Jô – é importante fazer claras distinções. Estas
incluem as distinções entre Ikkyo e Nikyo, Omote e Ura, técnicas
básicas e Ki no Nagare, e técnicas aplicadas (Oyowaza). Em uma
recente viagem à Itália, experimentei executar tantas técnicas
quanto podia. Concentrando-me apenas sobre as técnicas básicas,
Ki no Nagare, variações e técnicas aplicadas, acabei por
realizar mais de 4 centenas de técnicas, e estou certo de que o
número teria subido para mais de 6 centenas caso tivesse
incluído técnicas partindo da posição sentada, Hanmi Handachi
(Atacante em pé, defensor sentado), e técnicas de contra-ataque.
Não importa quão esplendidamente as pessoas escrevam sobre
Takemusu Aikido, eles devem ser capazes de executar estas
maravilhosas técnicas por si mesmos, se eles estão sendo
considerados como professores. Se vocês continuam à praticar
assiduamente de acordo com o método tradicional, alcançarão o
estágio onde serão capazes de executar um número infinito de
técnicas desde as básicas até as mais avançadas.
Morihiro Saito Shihan
Takemusu Aikido Volume 1
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Os cinco espíritos do Budo16
Shoshin: (初心) Mente de principiante
Zanshin: (残心) Mente que permanece
Mushin: (無心) Não Mente
Fudoshin: (不動心) Mente Imóvel
Senshin: (先心) Espírito Purificado; atitude iluminada
Existem 5 mentes fundamentais ou espíritos do budo; shoshin,
zanshin, mushin, fudoshin, e senshin. Estes conceitos muito
antigos são geralmente ignorados nos dojo modernos de aikido. O
budoka que se esforça para compreender as lições destes 5
espíritos em seu coração amadurecerá para se tornar um artista
marcial e um ser humano forte e competente. O aluno que não se
esforça para conhecer e receber estes espíritos sempre terá uma
falha em seu treinamento.
Shoshin
O estado de shoshin é aquele da mente de principiante. É um
estado de atenção que permanece sempre completamente consciente,
atento e preparado para ver coisas pela primeira vez. A atitude
de shoshin é essencial para continuar o aprendizado. O-Sensei
uma vez disse, “Não espere que eu lhe ensine. Você deve roubar
as técnicas sozinho”. O aluno deve ter um papel ativo em cada
aula, observando com a mente shoshin, para conseguir roubar a
lição de cada dia.
Zanshin
O espírito de zanshin é o estado do espírito que permanece, que
continua. É frequentemente descrito como um estado continuado de
atenção aumentada e de decisão. Mas o verdadeiro zanshin é um
estado de foco ou concentração antes, durante e depois da
execução de uma técnica, em que uma ligação ou conexão entre o
uke e o nage é mantida. Zanshin é o estado da mente que nos
permite permanecer espiritualmente conectados, não apenas a um
único atacante, mas a múltiplos atacantes e mesmo a um contexto
completo; um espaço, um tempo, um evento.
Mushin
O manual da ASU define mushin como a “Não mente, uma mente sem
ego. Uma mente como um espelho que reflete e não julga”. O termo
original era “mushin no shin”, que significa “mente da não
mente.” É um estado mental sem medo, raiva ou ansiedade. Mushin
é frequentemente descrito pela frase, “mizu no kokoro”, que
significa “mente como a água”. Esta frase é uma metáfora que
descreve o lago que reflete claramente o que o cerca quando suas
águas estão calmas, mas as imagens são obscurecidas quando uma
pedra é jogada em suas águas.
Fudoshin
Uma mente que não é abalada e um espírito que não se move é o
estado de fudoshin. É a coragem e a estabilidade demonstradas
mentalmente e fisicamente. Mas ao invés de indicar rigidez e
inflexibilidade, fudoshin descreve uma condição que não é
facilmente transtornada por pensamentos internos ou por forças
externas. É capaz de receber um ataque forte e manter a postura
e o equilíbrio. Recebe e devolve com leveza, está firmemente
aterrado, e reflete a agressão de volta à sua fonte.
Senshin
Senshin é o espírito que transcende os primeiros quatro estados
da mente. É um espírito que protege e se harmoniza com o
universo. Senshin é um espírito de compaixão que abraça e serve
a toda a humanidade e cuja função é reconciliar e dissipar a
discórdia no mundo. Ele considera que todos os tipos de vida são
sagrados. É e mente de Buda e é a percepção de O-Sensei da
função do aikido.
Aceitar completamente o senshin é essencialmente a mesma coisa
que se tornar iluminado, e pode ir muito além da abrangência do
treinamento diário do aikido. Entretanto, os primeiros 4
espíritos são provavelmente atingíveis por qualquer aluno sério
através de atenção concentrada e treinamento firme. Abraçar
estes estados da mente pode ser recompensador de diversas
formas.
Shoshin pode libertar um aluno do “vale” frustrante do
aprendizado, dando-lhe a visão para enxergar o que ele não
poderia ver antes. Zanshin pode aumentar a atenção total,
melhorando o treinamento de randori e de estilo livre. Mushin
pode liberar a ansiedade do aluno quando está sob pressão,
capacitando-o para uma performance melhor durante um exame.
Fudoshin, pode lhe dar a confiança para proteger seu território
em face de ataques físicos esmagadores. O aikidoka sério deve
encontrar formas de incorporar estes espíritos do budo em seu
treinamento diário.
Por
Dan Penrod – 27 de Agosto de 2006
http://www.budodojo.com/FiveSpiritsOfBudo.htm
Tradução - Jaqueline Sá Freire (Brazil Aikikai - Hikari Dojo –
Rio de Janeiro)
Treinamento com Shomen6
Ataque com a
mão direita ou esquerda.
Usar do Te-Gatana [mão-espada] (ou punho): A fim de desferir um
devastador golpe à um inimigo, você deve entender os princípios
do céu e da terra; sua mente e corpo devem estar ligados ao
divino, e ai deve existir um perfeito equilíbrio entre o
manifesto e o oculto, água e fogo. Céu, terra e homem devem
fundir-se como uma única força unificada neste caso um Tegatana-
e você deve mover-se em harmonia com o cosmos impulsionado pelo
divino; calor e luz devem irradiar de todo o seu corpo. Não
oferecendo ao seu oponente a menor abertura ou permitindo uma
quebra no fluxo de Kokyu e Ki, você deve estar consciente para a
essência do “atacar.”
De modo oposto, quando um inimigo ataca, mantenha-se sempre
positivo, calmo, estável e cheio de energia, centrado no grande
espírito do universo e sintonizado com a vontade dos deuses.
Desse modo, mesmo que você esteja cercado por uma multidão de
inimigos ou outros obstáculos, você conseguirá antecipar
qualquer ataque e mudar de direção escapando para a direita ou
esquerda. Além disso, você deve aprender como entrar na mente do
seu oponente, e guiar-lhe através do caminho que o céu e a terra
indicaram a você. Por exemplo, quando cercados por muitos
inimigos você deve ser capaz de atrair-lhes para fora... para
atacar na direção que você deseja, girar apropriadamente, e
então lhes derrubando por de trás.
Você deve iluminar a fronteira entre a vida e a morte. Sem
preocupar-se com o que possa surgir, você deve estar preparado
para receber 99% de um ataque do inimigo e olhar a face da morte
nos olhos, a fim de iluminar o caminho.
Ataque como o trovão e voe mais rápido que o relâmpago- esse é o
modo que você deve agir. Mantenha estas coisas em mente enquanto
você treina e aprenda como evitar totalmente a pressão de um
ataque do inimigo. No passado, a estratégia era algo ensinado
como uma expressão natural da presença do sublime. Lute seguindo
os ditames do céu e da terra, e treine para reagir em contraste
no fluxo de Kokyu.
No treinamento apresentado aqui (NT: Neste livro), você deve
assumir uma certa distância.
Isso deve ser feito de acordo com os princípios universais do
manifesto e do oculto, água e fogo. Você deve aprender a
avaliar, tanto física quanto espiritualmente, a distância entre
você e o outro, enquanto mantêm-se centrado. Estar em ligação
com o universo, treinando para dominar e unificar a maravilhosa
energia da água e do fogo- a verdadeira estratégia de um real
guerreiro não tem limites. Abra o reino da verdade, purificando
e unindo todas as pessoas do mundo, e manifeste a glória da
vontade imperial por todo o mundo.
O treinamento no Budo constrói um verdadeiro caminho espiritual
ensinando a agir sabiamente.
Além disso, aqueles que treinam sinceramente em outras formas de
Budo manifestam ensinamentos que refletem o grande propósito do
céu e da terra, conduzindo ao esclarecimento. Portanto as
virtudes da coragem, bom senso, amor e empatia estão unidas no
corpo e mente, criando uma bela e valiosa espada que nos dirige
a grandes realizações. A lei do Grande Caminho é estabelecida, a
terra é protegida, e cada pessoa torna-se parte do processo. É
assim que os guerreiros do Japão treinam; esse é o ato de abrir
a porta de pedra. Se você aprende a controlar os elementos
universais dentro do coração humano, você pode responder de
acordo com os princípios da água e do fogo, Yin e Yang, quando
um inimigo ataca. Se ele vem com Ki, golpeie com Ki; se ele vem
com água, golpeie com água; se ele vem com fogo, golpeie com
fogo.
Pense sobre tais coisas e a relação delas com o moderno combate
científico quando você estiver treinando.
Morihei Ueshiba
O espírito do Aikido7
Aprendendo,
Sentindo e Transmitindo a Essência.
"Bu(do)é amor. O verdadeiro caminho marcial do Japão é o
espírito de paz que elimina o conflito antes de dele surgir.
Este é o (caminho) do Aikido.
Nas eras passadas o caminho das artes marciais era uma
ferramenta para matar e conquistar. Contudo o modo que era
falado e feita, tal maneira era desviada e conduzia à
autodestruição. Aikido, entretanto, é (o caminho da) harmonia,
ele é uma manifestação do vasto espírito fundamental do
universo. Sem compreender este espírito é impossível progredir
no Aikido e (a prática) não tem nenhum sentido. Promovendo este
espírito, Aikido transforma-se também um método para que a
defesa pessoal bem como, um regime para a manutenção da saúde e
da beleza.”- palavras do fundador, Morihei Ueshiba – O Sensei”.
Este texto foi extraído de
uma entrevista com o Fundador em 26 de Maio de 1961 durante sua
visita a Kumamoto.
Consciência8
Uma faca serve
para cortar legumes, esculpir a madeira, abrir um buraco, cortar
um tecido, servir como objeto de decoração, etc.
Mas quem anima o objeto é o possuidor.
"Aquilo que pensa e sente você dará forma, onde você está é onde
está seu pensamento. pois você é sua consciência e naquilo que
medita, naquilo se transformará."
A origem9
Os antigos
livros de artes marciais japoneses contam que o Aikijujutsu ( a
Arte Mãe do Aikido ) foi originalmente desenvolvido por Minamoto
No Yoshimitsu, o terceiro filho de Minamoto Yorioshi, que era
descendente em 5a geração do próprio Imperador Seiwa. A família
Minamoto era uma das mais influentes família do Japão daqueles
tempos, e de onde floresceram os mais famosos guerreiros.
Na verdade acredita-se que Minamoto No Yoshimitsu, e seu irmão
Yoshilie Minamoto provavelmente aperfeiçoaram as técnicas
guerreiras que já existiam no Clã, e eram propriedade da
família, já por muitos anos passados, cujas origens se perdem no
tempo. Minamoto distinguiu-se como famoso professor de Lança (SOJUTSU)
e seu irmão Yoshilie Minamoto como arqueiro KIUJUTSU, além de
ambos serem Mestres de TAIJUTSU ( posteriormente chamado de
JUJUTSU ).
O filho mais velho de Yoshimitsu Minamoto, Yoshikio mudou-se
para a área conhecida como Kai e fundou uma nova ramificação da
família denominando Kai Genji Takeda. Significando, Kai o local,
Genji o nome original da família, e Takeda o novo nome da
família. A família, Takeda desenvolveu Artes Marciais de Estilos
próprios incluindo, A Arte de Cavalgar, Lança Espada e Técnicas
de Aikijujutsu. Ainda atualmente as únicas escolas de cavalgar
do Japão são a Takeda Ryu e OgaSawara Ryu e ambas atribuem à
Minamoto No Yoshimitsu como seu fundador.
Na realidade Sokako Takeda representa a ligação entre nossos
tempos e os tempos dos samurais, foi ele na verdade que divulgou
o AIKIJUJUTSU para a população, fora do fechado Clã Aizu.
Em 1912, Sokako Taqueda encontrou Morihei Ueshiba, que havia
nascido em 14 de dezembro de 1883, no distrito de Motomachi na
Cidade de Tamabi de Prefeitura Wakaiama. Ueshiba que
originalmente se chamava Moritaka, desde pequeno se interessava
por religião daí ter sido encorajado por seus pais à praticar
Artes Marciais, praticando Sumô e Natação. Em sua juventude foi
para Tókio onde havia um pequeno negócio, e praticou Kito Ryu
Aikijujutsu e a Esgrima da escola Shinkage. Por problemas de
saúde voltou para casa e mais tarde, em 1903, se alistou no
exército e combateu com distinção na guerra Russo Japonesa.
Quando decidiu ir para Hokkaido, em 1912 foi apresentado à
Sokako Takeda por Yoshiba Kotaro e se tornou estudante. Por sete
anos ele estudou com Takeda quando o mesmo estava em seu pico de
habilidade. Em 1922, com a idade de 39 anos juntamente com 22
outras pessoas ele recebeu o título de Kyoju Diri, significando
que era mestre na maioria das técnicas do Daito Ryu Aikijujutsu.
Porém, dois outros estudantes receberam títulos mais importantes
Yukiyoshi Sagawa e Takuma Hisa receberam o Kaiden título máximo.
Yukyoshi se tornou o 36º chefe do Daito Ryu Aikijujutsu por
delegação de Takeda, porém declinou em favor de Tokimune Takeda,
filho legítimo de Sokaku Takeda. Em 1936, depois de ensinar para
pequenos grupos, Morihei Ueshiba decidiu criar sua escola em
Tókyo, com o estilo próprio denominando-o Aikibudo. Aliais
Ueshiba denominou seu estilo várias vezes com nomes diferentes,
como: Aikibudo, Ueshiba Juku Aikijutsu, Takemusu Aiki e
finalmente aconselhado por Degushi o nome de AIKIDO.
kokyu ryoku10
O PODER DO
AIKIDO
Tudo na criação sem exceção “respira”, “pulsa”. Aos aikidoistas
sempre é dito que o Aikido não usa a força muscular bruta, mas
aquela do universo o “kokyu Ryoku”. O fundador dizia “Ichi Rei,
sangen, shikon, hachiriki” (um espírito, três fundamentos,
quatro almas e oito poderes), explicando exatamente este poder
da respiração, da pulsação universal que se deve aplicar em
todas as técnicas de aikido e também na vida. Esta verdade
também está expressa no “ I Ching” chinês que por milhares de
anos vem sendo guia de consulta de como viver bem por milhões de
pessoas no oriente e recentemente inclusive no Ocidente. È muito
importante que busquemos atingir um estado de harmonia com o
universo que o Fundador do Aikido pregava, e que apliquemos esta
percepção em nosso treinamento diário para que as práticas em
cima do tatami possam ser utilizadas na nossa vida visando
alcançar sabedoria e consciência de si mesmo e da Realidade. A
filosofia oriental emerge de uma visão do mundo que não!
reconhece uma consciência do ego inteiramente distinta, e o
“satori” (iluminação), pode ser compreendido muito mais em
termos de reconhecimento das barreiras que existem para que
possamos entrar em contato com a realidade global que envolve
todo o universo e as demais pessoas e seres que nele vivem. È
preciso atingir a percepção da atividade vital (o “KI”) , que
está de acordo tanto física como espiritualmente com o fluxo e
refluxo do universo, a percepção do “kokyu universal”, e assim
entrando em ressonância com o ritmo do Universo. O antagonismo e
polaridade que os seres humanos normalmente manifestam ao
analisar fatos e coisas, é o que a origem de todos os conflitos
e problemas, inclusive das guerras, brigas , desentendimentos e
sofrimentos fruto da falta de percepção da realidade da unidade,
da complementariedade, que a pratica continua do aikido visa
modificar de forma a desenvolver nos adeptos deste caminho a
percepção de que se algo existe de negativo, isto se deve a
existência do positivo. Não se pode comer abacaxi sem tirar a
casca espinhosa antes, como diz a sabedoria popular. Todas as
pessoas são de certa forma muito semelhantes e são apenas
aparentes as diferenças nas formas exteriores que apresentam ou
na cor da pele, e o treino correto do Aikido é um meio de levar
a mente a origem e a essência da atividade vital e se enxergar e
perceber alem da mera aparência externa. O Universo gera
respiração e vida através de um sistema conversor de energia ao
qual podemos nos referir como uma cadeia nutritiva metabólica e
é ele mesmo um exemplo das qualidades harmônicas da natureza. A
terra, mares, vegetais e tudo o mais neste ecossistema são
sistemas que “respiram”, “pulsam” e infelizmente isto é
desapercebido pela sociedade moderna ou então subestimados e é
um grande equívoco. Os seres humanos como qualquer organismo tem
seu lugar próprio neste ecossistema e somente colhendo ou
extraindo energia deste sistema através do poder da “respiração”
(kokyu), podem continuar a viver. Respiração e vida então são
sinônimos. A respiração em seres humanos inclui respiração
através da pele, pulmões e traquéia, mas no Budo ela é usada em
um sentido mais amplo e temos a respiração do encontro “de ai”,
a respiração da criação “ma ai” e o avanço e retração nas
atitudes de ataque ou defesa, e assim por diante e desta forma
vamos tomando consciência deste grande processo pulsatório
usando nossa intuição e introvisão em grande parte através de
nossos 5 sentidos e também do uso da mente, que no entanto, deve
trabalhar sempre em ressonância com o nosso centro do
sentimento. Mente, sentimento e corpo (sentidos) tudo deve estar
alinhado e trabalhando em harmonia para que efetivamente possa
ocorrer progresso e iluminação conseqüente e real. Percepção e
atenção, consciência e sensibilidade , tomando o intervalo de
combate adequado, capturando o centro do parceiro, livrando-se
da força e estresse desnecessários , relaxando os ombros e
movendo-se a partir do centro, de fato e assim estaremos
seguindo verdadeiramente todas as leis da dinâmica dos fluidos e
assim adquirindo tanto flexibilidade física como psicológica. Se
estamos praticando em união com nossos parceiros em um treino de
Aikido, dentro dos movimentos circulares que compõe as técnicas
desta arte estaremos intimamente nos relacionando com todos os
músculos do corpo que podem ser concebidos como espirais
tridimensionais e assim são concebidas todas as técnicas básicas
e avançadas. Tais movimentos exigem, como na vida, em
elasticidade e flexibilidade e é importante cuidar para não
perder estas características. Daí ser importante se treinar pelo
menos umas três vezes por semana, e cuidar para manter os
músculos alongados, e relaxados e as articulações livres. Do
mesmo modo deve-se cuidar para se manter o andar ereto
permitindo que as linhas de campo magnéticas da terra entrem
pelas solas dos pés e percorram o corpo até o topo da cabeça
para criar uma ligação com o grande espaço universal, criando o
que o fundador do aikido chamava de “Ame no Ukihashi”, (a ponte
que liga o Céu com a Terra). Uma postura vertical correta também
nos mantém em harmonia e concordância com os empuxo
gravitacional e as forças atrativas da terra resultando em
sensação de estabilidade psicológica e física. Assim de forma
natural respiramos mais profundamente ativando nossos órgãos
internos e a fortalecendo o funcionamento de nossos 5 sentidos e
a mente. Não tenho espaço aqui para escrever com explicações
detalhadas sobre estas posturas do corpo e atitudes, mas
resumindo direi que a respiração (kokyu), no Aikido dever servir
para intensificar a consciência de nossa própria existência e
revelar uma perspectiva do Universo e da vida, ativando o
perfeito funcionamento entre a mente e o corpo e de forma que
todo encontro (de-ai), deve ser um fluxo continuo de energia
entre as forças centrifugas e centrípetas. Assim o sonho chinês
da harmonia existente entre o Ying e o Yang, as duas
polaridades, não só se manifestará em nossa técnica que se
tornará muito eficiente como defesa pessoal , mas principalmente
passaremos a compreender como funciona o universo e todo o nosso
processo vital e social, que nos proporcionará como resultado
prático, o bem maior que é a felicidade ainda nesta terra. Não
vamos esperar pelo Paraíso apenas após a morte, ele pode ser
encontrado agora mesmo neste instante, se soubermos procurar
direito. O Aikido é uma das muitas portas abertas por muitos
sábios deste o inicio da humanidade para se atingir este
estágio.
No Instituto Takemussu estamos desde a muitos anos procurando
praticar o aikido como Takemussu Aiki, onde as formas são
secundárias priorizando o kokyu ryoku.
A lenda do tengu17
Segundo um documento do
Santuário de Nagami, em Honjo-mura, a filha de um samurai nasceu
em 5 de maio de 1097 e recebeu o nome de Benkichi. Em 1112, foi
para Nagami e três anos mais tarde, concebeu aí um filho de um
tengu. A criança, Benkei, nasceu treze meses depois, já com
todos os dentes e cabelo comprido. Uma lenda diz que, durante a
infância, viveu com a mãe numa ilha chamada Benkeijima. Devia
ser uma criança difícil, pois o abandoram aí pela violência que
mostrava. A ilha está ligada a terra firme por um estreito
caminho de areia e diz-se que este foi construído por Benkei,
que transportou a areia nas mangas e na saia do seu quimono até
conseguir formar uma estrada para fugir da ilha
Depois deve ter se reconciliado com a mãe, pois também se afirma
que, ao dezessete anos, quando ela morreu, guardou as suas
relíquias, como as da deusa Benkichi, em Nagami. Na idade
adulta, Benkei tinha três metros de altura, a força de cem
homens e era capaz de correr tão depressa como o vento. Este
homem se tornou famoso por atacar guerreiros só para exibir a
sua habilidade na esgrima. Benkei colecionava as espadas de
todos os que derrotava para satisfazer a sua vaidade. Pertencia
ao Mosteiro de Monte Hiei e viera para Kyoto em busca de mais
troféus.
Durante a infância e a juventude, Youshitsune este herói do clã
dos Minamotos era conhecido pelo nome de Ushiwaka. Depois do
jovem Ushiwaka e de seus dois irmãos terem sido, após uma
derrota dos Minamotos, poupados pelos Tairas, Ushiwaka foi
enviado sozinho para um mosteiro onde os monges cuidaram dele em
troca de alguma ajuda nas tarefas cotidianas. Mas o jovenzinho
era da fibra dos guerreiros e jurou vingar-se da derrota que os
Tairas tinham infligido à sua família. Assim, construiu uma
espada de brinquedo e de noite ia para a montanha treinar. Nesta
montanha morava uma colônia de tengus e a certa altura o chefe
deles teve pena do rapaz. Apareceu-lhe e perguntou-lhe qual era
a causa daquelas visitas secretas à montanha. O tengu, que por
acaso era partidário do clã Minamoto, ficou impressionado com a
determinação da criança e ordenou que os seus companheiros, os
tengus "folhinhas", lhe ensinassem não só a arte de esgrimir,
mas também estratégia e tática militar.
Ushiwaka tinha cerca de quinze anos, estava bem treinado nas
artes marciais e era piedoso, quando ouviu falar de um
monge-soldado chamado Benkei. Certa vez, Ushiwaka viu o homem de
quem tanto tinha ouvido falar ali à espera do próximo guerreiro
que passasse para o desafiar. Se Benkei tinha realmente três
metros de altura, devia parecer terrível quando vestia a
armadura completa. E começou a zombar de Ushiwaka, não tanto
pela juventude deste, mas mais pela sua fraca aparência. Mesmo
assim desafiou-o e tentou barrar-lhe o caminho. Mas o treino dos
tengus veio em socorro do rapaz, este esgueirou-se rapidamente
para trás do gigante, obrigando-o a largar algumas das armas que
trazia na mão. Benkei virou-se furioso, e foi assim que começou
a luta tão famosa. Ushiwaka acabou por desarmar o vaidoso
lutador e por ganhar, sem sombra de dúvida, o duelo.
A partir daí, o comportamento de Benkei mudou completamente.
Pediu perdão ao rapaz, que provara possuir honra e valor e
pediu-lhe que, no seu feudo, o aceitasse como vassalo e
companheiro contra os Taira. A oferta foi aceita e, desde então,
Benkei e Ushiwaka, ou Yoshitsune, como passou a ser conhecido,
tornaram-se inseparáveis.
O QUE FICA DA LENDA :
"Vaidade , os Tengus nos mostravam que por melhor que fosse um
samurai , ele deveria absterse da vaidade"
O ser humano enche-se de vaidade com muita facilidade.
Acha-se o bom!
Melhora um pouquinho em inteligência, beleza, riqueza ou
qualquer outra coisa e já se sente o máximo!
Assim somos nós: ávidos por destaque, reconhecimento e
privilégios...
Começamos a ter problemas quando passamos do ponto... quando nos
achamos diferentes!
Sentimos TUDO poder, como Deuses!
Soberanos. Grandes. Diferenciados!
... e caímos do cavalo.
O triste é que ao invés de aprendermos sobre a humildade, nos
sentimos humilhados.
No lugar de entendermos a lição, tentamos decolar de novo!
Não percebemos que o nosso destino não é a glória, mas a
libertação de nossas misérias, a morte de nossas ilusões e
apegos.
Não se chega à felicidade pela riqueza mas pela serenidade na
adversidade.
Não é rico aquele que possui, mas o que está pleno sem
condicionantes.
Pela vaidade o homem infla,
mas nunca conseguirá voar.
Nossas vaidades e necessidades criam apegos, nos aprisionam...
Achamos que tudo podemos, pois somos o máximo!
... e nem percebemos o ridículo da situação.
De senhores, passamos a escravos.
Cheios de pose, mas simplesmente escravos.
Há muito o que desvendarmos, entendermos, cairmos em nós.
Que possamos um dia ter olhos para ver e ouvidos para ouvir o
que já está claro,
mas ainda tão obscuro para nós
"Os Tengus foram os mestres e repugnam nossas vaidades,
eles nos observam ,
devemos repeitar o Darma,
assim devem pensar os samurais que beberam do saber marcial,
assim rege o Bushido"
Tengu são monteses e duendes da floresta que tem atributos do
Xintoísmo e do Budismo . Os seus poderes sobrenaturais incluem
forma-inconstante entre humanos e animais, a habilidade para
falar com humanos sem mover a boca , a magia de mover
instantaneamente de lugar para lugar sem usar suas asas, e a
feitiçaria para aparecer sem ser convidado nos sonhos dos
homens. Também são ditos que os Tengus tinham domínio sobre a
chuva e o vento e eram responsáveis por luzes misteriosas vistas
nas montanhas.
"Além disto, há outras histórias como "Tenguyurashi" que conta
cabanas montesas que tremem no meio da noite e "Tenguwarai" que
conta para as pessoas que ouvem uma risada alta súbita durante a
noite." Isto parece apontar à uma conclusão que os Tengus são
noturnos. Continua: "Nas montanhas, há árvores onde vivem os
Tengus. Estas árvores são chamadas "Tengutomarigi" e nós humanos
não devemos corta-las jamais. Os tesouros dos Tengus são: uma
capa mágica, um pequeno e cónico chapéu de carriça (espécie de
palha) , um pequeno martelo ou uma especie de bengala de madeira
com uma esfera de aço na ponta.......Outros nomes para os Tengus
: Guhin, Yamabito, Yamanokami",
O protetor das artes marciais, o Tengu na forma de pássaro era
um hábil e mortal guerreiro , sempre propenso a pregar peças em
padres budistas arrogantes e vangloriosos, e para castigar esses
que abusam do conhecimento e autoridade para ganhar fama ou
posição social . Em dias antigos, eles infligiram também
castigos em guerreiros samurais arrogantes e vilões . Eles
repugnam fanfarrões, e quem corropem o Dharma (lei).
O significado literal de Tengu é "Cachorro de Céu." Em mitologia
chinesa, há uma criatura relacionada nomeada Tien Kou, ou "cão
de caça celestial." Porém, o nome está enganando pois os Tengus
são mais como corvos a nosso olhares , e nada como um cachorro.
Uma teoria plausível é que o Tien Kou chinês derivou seu nome de
um meteoro destrutivo que bateu a China algum dia no 6º século
AC. O cauda do corpo cadente se assemelhou a cauda de um
cachorro, conseqüentemente o nome e sua associação inicial com
poderes destrutivos.
Evolução do Tengu
O Tengu evoluiu em aparência ao longo dos séculos. Originalmente
retratado como um corvo uma criatura má com o corpo de um homem,
e um rosto com bico de pássaro, uma cabeça compacta pequena,
asas emplumadas, e garras pesadas, o Tengu evoluiu desde então
em uma criatura semelhante a um pássaro, a uma espécie de duende
protetor com um notório longo nariz, usando um boné de monge, e
por vezes com a face vermelha. Protetores das artes marciais,
são creditados aos Tengus habilidades de extraordinárias com a
espada e armas similares . Eles às vezes serviam como mentores
na arte da guerra e estratégia para humanos que eles acham
merecedores de seus ensinamentos. Tengus viviam em colônias
debaixo da liderança de um único Tengu que é servido por
mensageiro Tengu (normalmente Karasu). Mais perigosos que maus ,
os Tengus eram chocados de ovos como os pássaros.
Karasu Tengu ("Crow" Tengu)
A forma antiga do Tengu era o "karasu" ou "corvo" Tengu.
Retratado como um corvo uma criatura má com o corpo de um homem,
era capaz de seqüestros de crianças e adultos ,
responsabilizados por iniciar incêndios , e despedaçar quem
voluntariamente danificasse a floresta , porque o Tengu viviam
em árvores. Também, algumas vezes os Tengus seqüestrariam seres
humanos, só os libertariam depois de um tempo , mas o "sortudo"
sobrevivente voltaria para casa em um estado de demência
(chamado "Tengu Kakushi, significando "escondido por um Tengu").
Yamabushi Tengu (Mountain Monk)
Com o passar dos séculos ,o Tengu fica mais humano em aparência
toma um papel de protetor nos negócios dos homens . O Tengu pode
se transformar em um homem, mulher, ou criança, mas seu disfarce
preferido era aparecer como um maltrapilho, ermitão montês
nômade , ancião ou monge (yamabushi) com um nariz extremamente
longo. Ambos o tanuki mágico (texugo) e oinari (raposa) também
pode mudar para a forma humana , e é considerado de fato que
estas duas criaturas são manifestações animais de Tengu em
algumas tradições japonesas.
"Para o samurai aprender
Há só uma coisa,
Uma última coisa -
Enfrentar resoluto a morte "
"Digo que os samurais não precisem competir entre si , nem mesmo
se importem com força ou fraqueza, nem atacar ou recuar um único
passo. O oponente não o verá ; ele não verá seu oponente. Quando
penetramos no lugar onde céu e terra permanecem uno , aonde não
se distingue o Yin (positivo) do negativo (yang) . Nós
alcançaremos a pureza da retidão do sucesso."
"O lutador, é um instrumento fatidico e malévolo. O caminho do
Céu não tem nenhum amor por ele, contudo tem que fazer uso dele,
por isso é o caminho do Céu."
"Deixe se ir com o mau que te aflige , esteja com ele , mantenha
sempre perto de você - este é o modo para se libertar dele."
"É MEU DESTINO TRILHAR"
NADA IMPORTA.......................
TUDO É O CAMINHAR..................
NUNCA RETROCEDER .......................
NUNCA CONTORNAR........
NUNCA PARAR...........................
NÃO TER FAMILIA.........................
NUNCA BUSCAR UM LAR OU SEU LUGAR NO MUNDO.......
NUNCA AMAR.............
NUNCA NÃO BRIGAR...................
NUNCA SE DESCULPAR..............................
NUNCA QUESTIONAR..........
NUNCA LAMENTAR.......
NUNCA OLHAR PENSAR NO PASSADO.......
NUNCA CHEGAR.............................
MAIS NUNCA PARAR DE TENTAR........................
VIVER CADA POR DO SOL COMO SE ESSE FOSSE O
DERRADEIRO..................
ACEITAR A EXISTÊNCIA SER TÃO IMPERMANENTE COMO O ORVALHO DO
ENTARDECER E A GEADA DA MANHÃ........
Gênio11
Morihei
Ueshiba um excêntrico ou um santo ?
Itsuo Tsuda
(Itsuo Tsuda nasceu no Japão em 1914, viveu e estudou na França
entre 1934 e 1940 e ao retornar ao Japão estudou recitação Nô
com o Mestre Hosada, seitai com o Mestre Noguchi e aikido com o
Mestre Ueshiba. A partir de 1970 voltou a viver e a ensinar na
Europa.) O prof. Wagner Bull leu seu livro na década de 80 e
mencionou este fato em seu primeiro livro com ilustrações entre
as relações da água com o fogo. Graças a esta informação foi que
provavelmente Jonh Stevens tomou conhecimento de um famoso
desenho, e que posteriormente decodificou em vários livros
internacionais que esclareceram muita coisa sobre o Aikido.
Tsuda conhecia O Sensei muito bem:
Mestre Ueshiba era do tipo 9, intuitivo e primitivo.
Sua vida foi marcada por altos e baixos extremos, pelo tudo ou
pelo nada. Ele não era alguém que se contentava com uma
explicação racional e lógica. Quando havia decidido, nenhum
argumento podia dobrá-lo: as desvantagens, os inconvenientes, os
perigos, nada podia pará-lo.
Conheço a mudança brusca de humor daqueles do tipo 9. Essa
mudança se opera quase que sem transição, de uma fase a outra:
de um acesso de cólera aterrorizante a uma hilaridade serena. Em
seu dojo, eu escutava muitas vezes os rugidos de trovão
seguidos, alguns minutos depois, por explosões de riso. A mesma
coisa com sua doença. Os alunos internos penavam bastante, no
começo, para compreender esse fenômeno: num dia, ele estava
doente para morrer, e no dia seguinte, ele partia em viagem de
trem para uma demonstração, fresco como uma rosa.
Isso não quer dizer que ele não tinha capacidade intelectual.
Ele deixou o liceu após um ano de estudo porque se entediava
muito, mas logo que se pôs a aprender a calcular com o ábaco
mostrou-se superdotado.
Tinha uma concentração extraordinária, desde que o trabalho o
agradasse. Não podia fazer nada contra sua vontade.
Sua falta de apego às questões materiais nos parece fabulosa,
uma vez que estamos acostumados a ver gente que persegue
vantagens a todo instante. Ainda assim, tinha espírito de
empresário. Com dezoito anos, deixou sua província natal de
Wakayama e instalou-se em Tókio para montar um pequeno negócio
de papelaria, bastante próspero, com quatro ou cinco empregados.
É engraçado imaginar o futuro grande mestre de aikido como um
jovem proprietário de loja. Mas por ocasião do alistamento
militar, decidiu abandonar tudo e retornar a seu município,
deixando todos os seus bens e todos os seus direitos nas mãos de
seus empregados, ficando com não mais que uma passagem de trem
para a sua viagem.
Isso é muito interessante porque, para o tipo 9, o objetivo do
trabalho é muitas vezes o próprio trabalho, e não o benefício
que dele se retira. Para o tipo 3, o trabalho é um mal que é
necessário suportar para obter a segurança.
Quando reviu seu pai, disse-lhe:
- Parti com uma vestimenta e eis-me aqui de volta com apenas uma
vestimenta.
E os dois se puseram a rir às gargalhadas.
De 1903 a 1906 esteve alistado no exército e durante a guerra
russo-japonesa realizou muitas façanhas, durante as batalhas.
Ele agarrava os soldados russos com as mãos nuas para os
aprisionar. Além disso, começou a ver as balas chegando da
direita ou da esquerda. Ele percebia bolas brancas que vinham em
sua direção e bastava evitá-las para que não fosse atingido
pelas balas. As bolas brancas precediam o tiro real.
É preciso admitir, como diz Noguchi, que o tipo 9 vê coisas que
os outros tipos não vêem. Nos momentos críticos, de grandes
perigos, o tipo 9 é capaz de manter uma lucidez calma, enquanto
os outros são dominados pelo pânico.
Por outro lado, Ueshiba não era uma pessoa fácil em tempos
normais. Ele se tornava muitas vezes intratável com relação a
sua mulher, com acessos de cólera, e durante a noite se
levantava para tomar duchas frias ou, durante o dia, fechava-se
sozinho para fazer todos os tipos de orações. Ou ainda,
retirava-se para a montanha para jejuar. Como suas motivações
eram incompreensíveis para os outros, poder-se-ia facilmente
classificá-lo como maníaco-depressivo. Compreendo muito bem seu
caso porque tive experiência com outras pessoas do mesmo tipo. É
o desejo insaciável que surge do interior e que impulsiona o
indivíduo a procurar a satisfação até o fim.
Explicar esse desejo insaciável, essa motivação incompreensível
do tipo 9 é uma tarefa impossível de momento. Não se reduz a
algumas fórmulas simples e claras. A formulação é clara e nítida
para o tipo 1, cerebral. Mas a partir do momento em que a
fórmula é encontrada e consagrada, ocupa o espírito como uma
expressão bem deliberada e permite estabelecer um sistema
coerente e rejeitar outros que são mal definidos. Essa
exclusividade pode levar, no extremo, ao estabelecimento da
inquisição.
No tipo 9, o desejo surge do interior a despeito de todos os
raciocínios. A satisfação não admite acordos. Ele luta sem folga
até que encontre a solução satisfatória. Visto do exterior, ele
é dotado de uma continuidade extraordinária. Os obstáculos que
ele encontra no caminho, em lugar de desencorajá-lo e de fazê-lo
renunciar, não fazem senão estimulá-lo.
Mas tudo depende. Pode-se ter uma motivação bem mesquinha, até
bem malvada mesmo.
Havia, na época dos samurais, pessoas más que treinavam com a
espada com uma obstinação notável. Elas eram obcecadas pela arte
de matar. Terminavam por não poder resistir à tentação de testar
a validade de sua arte. Matavam inocentes, sem motivo válido,
unicamente para satisfazer seu desejo irresistível que brotava
do interior. Mas por quê? Não havia qualquer razão. Esse ato de
barbárie não tinha necessidade de justificação. Somente a ação
contava.
No livro “Relações perigosas”, de Choderlos de Laclos, pode-se
ver esse desejo irresistível, que conduz Valmont à ação, mas num
domínio completamente diferente. [Nota: Um tipo 9, inflamado
pelo desejo de fazer ceder uma mulher casada e virtuosa, passa à
ação. Quanto maior a resistência, mais ele se sente estimulado.
Mas Laclos, tipo 9, habitado por esse desejo, gostava mais que
tudo de uma pacata vida de família. Estava portanto em
contradição com esse demônio, do qual necessitava se fazer
purgar. Para satisfazer esse desejo criou seu próprio duplo, com
o personagem de Valmont, e quando este atinge seu objetivo, ele
o elimina. Sua expressão literária foi a caça ao demônio,
exteriorização desse mal que o corroía desde dentro. Um tipo 1,
na mesma situação, teria escrito um tratado de moral para
condenar uma tentação dessas, ou teria mantido uma extensa
correspondência literária, sem jamais passar à ação.
É a grandeza da alma que determina o limite de nossa satisfação.
Para Ueshiba, esse limite não existia como existe para os
atletas. Não se sabia exatamente do que ele era capaz. Seus
exemplos de performances, tal como os conhecemos, nos parecem
fabulosos. Ele podia enfrentar dez atacantes, vinte, trinta,
cinqüenta, cem, cento e cinqüenta? Tudo parece mostrar que isso
lhe era completamente igual, pois quanto maior o número mais
difícil de coordenar o movimento do grupo. Ele já não lutava com
humanos. Ele só se relacionava com o Céu e com a Terra, com o
Universo. Ele tinha chegado ao ponto de não conceber outro
mestre que não fosse a própria Natureza mesma.
Por ocasião de sua estada em Hokkaido, ilha situada ao norte do
arquipélago japonês, onde se dedicou a desbravar a terra inculta
entre 1912 e 1919, aconteceu de ele partir em viagem para
avaliar algumas áreas de floresta virgem. Um dia chegou à margem
de um rio, onde construiu um abrigo para passar a noite. A
região estava infestada por ursos, capazes de matar cavalos e
homens a golpes de pata. Ueshiba tinha um companheiro que,
dominado pelo medo, se agarrava a ele para dormir. Durante a
noite, um barulho se fez ouvir por entre os arbustos e
efetivamente apareceu um urso enorme. Enquanto tranqüilizava seu
companheiro, Ueshiba observava o urso. Este, após fuçar as
comidas, afastou-se para dormir. Vendo que o urso não tinha
intenção de atacar, Ueshiba também foi dormir. No dia seguinte o
urso também apareceu, desta vez com um ou dois outros. A
ausência de agressividade de Ueshiba se refletia nos animais,
que se contentavam em vir dormir e a ir embora com o nascer do
dia.
Essa história revela um fundo verídico, uma vez que ele
preconizava que o aikido é o caminho da não resistência, ainda
que o aikido tenha assumido, hoje em dia, uma orientação muito
diferente. Contrariamente ao aikido físico, que se difunde mais
e mais pelo mundo, seu aikido, para ele, estava longe de ser um
jogo de músculos. Dir-se-ia que ele tinha uma radiação em torno
dele, emanando dele, invisível, impossível de fotografar.
Um discípulo, Yonekawa, estava ocupado ao telefone quando
Ueshiba veio por trás dele e disse, batendo em suas costas:
- Você está completamente sem defesa quando telefona. Mesmo
telefonando, é preciso ter uma postura pronta para qualquer
eventualidade.
Que treinador diria uma coisa parecida a um esportista, ocupado
ao telefone? Desde que não se esteja sobre o rinque, isso não
conta.
Um outro discípulo, Morita, incitava os jovens, dizendo:
- Se vocês conseguirem imobilizar o sensei, mesmo que por um
minuto, não importa onde, eu os convidarei para um grande
banquete.
Os jovens tentavam se aproximar de seu quarto de dormir durante
a noite, às escondidas, colocando almofadas sobre o assoalho do
corredor, para abafar o ruído. Mas quando estavam a cerca de
três metros do quarto, tinham a impressão de ouvir um ruído ou
uma voz e, apesar das repetidas tentativas, achavam-se incapazes
de chegar mais perto.
Morita, pensando que talvez o mestre sofresse de insônia, fez
vir um médico. Intrigado, Ueshiba perguntou-lhe por que ele
havia feito isso. Morita foi obrigado a contar o que estava se
passando:
- Eu durmo perfeitamente bem, disse ele. Os raios dourados
emanam do meu corpo mesmo durante o sono e eu sei imediatamente
o que se passa ao redor.
Esses raios dourados não se podiam ver. Quando se olhava
Ueshiba, ele era um velho de pequena estatura, isso era tudo.
Mas quando se estava diante dele, na intenção de atacar, tudo
mudava. Ele se tornava enorme e o atacante bem pequeno. A gente
se sentia absorvido nele. É impossível explicar isso para quem
não teve a experiência.
Esse mistério tenta-se compreender de todas as maneiras. Suzuki
Daisetsu, célebre filósofo zen, conhecido nos Estados Unidos
através de seus escritos em inglês, veio ver Ueshiba.
“Não digo que Mestre Ueshiba tenha tido a experiência zen,
falou, mas direi que se trata aqui de uma verdadeira experiência
de revelação oriental.
É, contudo, difícil explicar aos outros as idéias de Ueshiba com
a terminologia shintoísta, que é mal conhecida. Talvez isto seja
contra sua vontade, mas penso que seria necessário dar uma base
de explicação com a filosofia budista de Mahayana, ou a
filosofia zen, porque o aikido e o zen se associam muito
naturalmente.”
Não sou contra essa associação mas, para o público europeu, não
é isso que vai facilitar a compreensão. Isso será tão
incompreensível quanto o shintoísmo ou outra coisa. O
cristianismo, por causa da luta de doutrinas, terminou por matar
a intuição e tornou-se uma espécie de moral política. O
racionalismo transformou o homem em uma série de quadros
anatômicos.
Omori Sogen, autor de A espada e o Zen, escreveu:
“Numa reunião, vi um pequeno velho sentado. Em todo seu corpo
não havia a menor rigidez, ele estava lá num estado de muga
mushin, não-eu e não-pensar, muito tranqüilo, e contudo não
apresentava qualquer fraqueza em nenhuma parte. Percebi
imediatamente que, se há hoje um homem de artes marciais capaz
de uma tal postura, este não pode ser outro senão Mestre
Ueshiba. E eu não estava enganado.”
No Ocidente, julgamos um homem pelas palavras que ele
pronunciou. É preciso que elas sejam bem apropriadas para que as
pessoas o escutem. Julgar um homem pela maneira como ele se
senta, ouvir a verdade mesmo que ele não tenha dito uma palavra,
é inconcebível.
Um aikidoca francês escreveu em algum lugar:
- Não direi que o aikido de Mestre Ueshiba não seja válido, mas
sua técnica parece ultrapassada hoje. Em sua época, não havia
revólver no Japão. A técnica deve evoluir com os tempos. Por
outro lado, a espada tornou-se obsoleta hoje. Ninguém pensará em
utilizar tal arma. É necessário adaptar a técnica ao progresso,
porque o objetivo do aikido é o de nos defender eficazmente
contra as agressões.
Vejo aí uma orientação de espírito totalmente diferente da que
eu entendi em Mestre Ueshiba. Que ele faça suas pesquisas
técnicas com o fim de se prevenir contra todos os tipos de
perigo, possíveis e imaginários, isso lhe cabe. Isso é muito
racional, muito lógico.
Mas há um erro histórico em seu argumento. A pistola existia no
Japão, mesmo na época feudal, sob os Tokugawa. Era conhecida sob
o nome de tanzutsu, fuzil curto. Na época da Restauração, em
torno de 1867, as personalidades políticas portavam uma pistola
ou revólver, não sei de que tipo, a fim de se protegerem em caso
de atentado. Ora, Mestre Ueshiba nasceu em 1883 e durante a
guerra russo-japonesa de 1904-1905, os oficiais do exército
portavam revólveres. Dizer que Ueshiba não conheceu o batismo de
fogo é contrário à verdade.
Considerar a espada unicamente como um arma destinada a matar o
inimigo (satsujin-ken) é muito racional, mas ignora
completamente o verdadeiro significado que lhe deu o Mestre.
Voltarei a esse ponto mais tarde.
Quanto ao conselho do doutor Suzuki Daisetsu, ele tem um pouco
de razão. A terminologia de Mestre Ueshiba era totalmente
incompreensível para os japoneses, aí incluído eu mesmo. Eu
fazia minhas melhores tentativas para entendê-la. Era um
verdadeiro quebra-cabeça.
O acaso me levou a conhecer a senhora Nakanishi, que é muito
versada nessa questão. Comecei então a compreender um pouco
melhor.
Traduzido do francês por
Luiz Carlos Cintra
Dim Mack12
(O toque da
morte).
De acordo com as teorias antigas da acupuntura, o corpo tem uma
força da vida circulando (chi ou ki) através das canaletas
invisíveis chamadas meridianos. De acordo com esta teoria, todas
as doenças são o resultado dos rompimentos no fluxo dessa força
da vida ou chi. Os pontos da acupuntura são situados nos
meridianos e representam as áreas onde o fluxo da energia pode
ser alterado. Há alguns métodos múltiplos de manipular os pontos
do acupuntura incluindo a pressão do dedo, herbs ardentes, e
introdução de agulhas. O acupunturista introduz agulhas em
pontos diferentes dependendo da doença ou da queixa. O Dim mak
evoluído destas teorias e os pontos diferentes são atacados para
causar efeitos diferentes. De acordo com a teoria antiga atrás
do Dim mak, atacar os pontos rompem o fluxo da energia, que
resulta na doença ou na morte.
Não há como questionar a eficácia do Dim mak. Qualquer um que
foi golpeado duramente em um ponto de mak ou testemunhou um
knockout do ponto da pressão pode atestar à eficácia dos mak.
Entretanto, há muitos que questionam a explanação antiga de
efeitos dos mak. Embora a teoria previamente mencionada esteja
na existência por séculos, a ciência médica moderna pode
fornecer uma explanação científica nova para efeitos dos mak.
Quase todos os pontos são situados nas áreas onde se pode atacar
uma parte vulnerável de um nervo. de fato, muitos dos pontos
podem ser ligados neurologicamente aos órgãos internos que se
acreditada afetar. Conseqüentemente, atacar o sistema nervoso
pode romper muitas das funções do corpo tendo por resultado a
doença ou a morte.
O Dim mak(toque da morte) é uma arte marcial antiga que
consistia golpear determinados pontos no corpo para causar a
doença ou a morte. Os pontos são chamados geralmente pontos não
ofuscantes do mak, mas são consultados também como aos pontos
vitais e aos pontos da pressão. A maioria destes pontos
corresponde às mesmas posições que pontos do acupuntura. O Dim
mak é uma arte marcial extremamente perigosa, que pode causar
muitos danos ao corpo humano. Os efeitos de atacar os pontos não
ofuscantes do mak incluem o knockout, a morte, e uma morte
atrasada. Muitos viram videos e seminários onde um assunto
específico conta que após ser golpeado em determinados pontos.
Embora este fosse um método muito dramático da demonstração,
poderia ter conseqüências perigosas.
Muitos acreditam que o mak não ofuscante foi criado há séculos
pelo mesmo homem que desenvolveu o formulário original do chi do
tai. Alguns postularam que este formulário conteve os métodos do
fundador de atacar os pontos não ofuscantes os mais perigosos do
mak. De acordo com a legenda, este conhecimento espalhou
ràpidamente e influenciou o desenvolvimento de muitas artes
marcial chinesas. Estas artes marcais influenciaram então a arte
marcial antiga de Okinawa chamada karate. Acredita-se por muitos
que os katas tradicionais das artes marciais de Okinawa contêm
também os segredos de golpear os pontos não ofuscantes do mak.
Isto é interessante porque o karate de Okinawa teve um impacto
principal nas artes marciais de Coreia e de Japão. Assim, é
concebível que os katas tradicionais destas outras artes
marciais poderiam também conter os segredos do mak não
ofuscante.
No passado, este conhecimento foi ensinado somente aos
estudantes os mais avançados e os mais confiados. Enquanto as
artes marciais espalharam em torno do mundo, o conhecimento do
mak não ofuscante (ponto da pressão que luta) permaneceu no
oculto. Assim, a natureza verdadeira de muitas artes marciais
permaneceram secretas. Esta tradição tem sido recentemente
quebrada e há mestres marciais das artes que ensinam os métodos
de atacar os pontos ao público. Esta informação está agora
disponível em seminários, nos livros, e em videos. Embora isto
tenha um efeito positivo nas artes marciais, levanta a
preocupação da segurança.
Na maioria de exemplos, o mak não ofuscante é explicado e
ensinado usando as teorias antigas baseadas no acupuntura.
Embora fosse a tradição por muitos anos, conduziu ao ceticismo e
à confusão muitos. Por causa disto, muitos negligenciaram os
avisos sobre o mak não ofuscante e começaram-nos experimentar
com os pontos. Esta prática podia ter conseqüências trágicas. Os
efeitos perigosos do mak não ofuscante poderiam ser explicados
cientificamente, os avisos sobre os pontos puderam ter mais
credibilidade. Há uma necessidade definitiva para uma referência
no mak não ofuscante que é baseado na ciência médica moderna.
Os Pontos
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Estas fotografias ilustram alguns dos pontos mais comuns do mak.
Estes pontos são mostrados somente com a finalidade educacional
e NUNCA se deve tentar atacá-las.
Sangen13
Triângulo,
Círculo e Quadrado
Muitas vezes Morihei Ueshiba observava, "A única maneira que
encontro para explicar o Aikido é desenhar um triângulo, um
círculo e um quadrado"- as três proporções mais perfeitas da
geometria.
"Um triângulo com seu vértice voltado para cima simboliza o fogo
e o linga cósmico; com sua ponta voltada para baixo, ele
representa a água e o yoni cósmico. Os três lados do triângulo
representam várias trindades: céu, terra e humanidade; mente,
corpo e espírito; passado, presente e futuro. Um triângulo
significa a dimensão do fluxo de ki.
O círculo é o emblema universal do infinito, da perfeição e da
eternidade. A natureza se expressa em círculos, circuitos e
espirais. O círculo é zero, o vazio que preenche todas as
coisas. Ele representa a dimensão líquida.
O quadrado é estável, organizado e material. Ele é a base do
mundo físico, composto de terra, água, fogo e ar. O quadrado
simboliza a dimensão sólida."
Também é importante conceber os sangen em suas formas
tridimensionais: o tetraedro (pirâmide), a esfera e o cubo.
Sobre as três figuras fundamentais Morihei dizia:
"O triângulo representa a geração de energia e a iniciativa; é a
postura física mais estável. O círculo simboliza unificação,
serenidade e perfeição; ele é a fonte de técnicas ilimitadas. O
quadrado retrata a forma e a solidez, a base do controle
aplicado."
Texto extraído do livro
"Os Segredos do AIKIDO", de John Stevens
Atingindo a faixa preta14
Pense sobre
perder a faixa preta, e não em ganhá-la. Sawaki Kodo, um mestre
Zen, frequentemente dizia, "Ganhar é sofrimento; perder é
iluminação." Se alguém perguntar a diferença entre praticantes
de hoje e do passado, eu responderia que os praticantes do
passado viam o treinamento como "perda". Eles abandonavam tudo
por sua arte e sua prática. Famílias, trabalho, segurança, fama,
dinheiro, para desenvolverem-se a si próprios. Hoje, eles apenas
pensam em ganhar. "Eu quero isto, eu quero aquilo." Nós queremos
praticar artes marciais, mas também queremos dinheiro, fama,
telefones celulares e tudo que qualquer um possa ter.
Quando o estudante olha seu treinamento do ponto de vista da
perda em vez do ganho, ele se aproxima do espírito da maestria,
e verdadeiramente torna-se valoroso como faixa preta. Só quando
você finalmente desiste de seus pensamentos sobre exames e
faixas, troféus, fama, dinheiro e a própria maestria na arte,
você alcança que o mais importante é sua prática. Seja humilde,
seja gentil, Cuide dos outros e ponha a todos adiante de você.
Estudar arte marcial é estudar você mesmo – seu verdadeiro Eu.
Isto nada tem a ver com graduações.
Um grande mestre Zen disse uma vez: "Estudar o Eu é esquecer o
Eu. Esquecer o Eu é compreender todas as coisas."
Os Estágios no Treinamento15
1. Keiko
Significa treinar ou praticar. Este é o estágio em que os
movimentos essenciais são aperfeiçoados pela repetição lenta,
esmiuçando o katá em suas partes e detalhes, compreendendo como
as técnicas trabalham em uma situação da luta. Com esta prática,
o ryusha (praticante de um estilo) começa a compreender os
princípios de Metsuke (corrigir o uso dos olhos), de Seme (que
pressiona ou que empurra) a fim controlar o oponente, de Maai
(noção de distância de combate) e de sincronismo. O exame deste
estudo é realizado após aproximadamente cinco anos da prática
regular. Simultaneamente, aproximadamente do terceiro ou quarto
ano em diante, o ryusha começará a prática de Tanren.
2. Tanren
Significa forjar, da mesma maneira que uma lâmina da espada é
forjada, com trabalho duro e suor, e em muitas horas de
dedicação; amalgamando-se os elementos duros e suaves no corpo,
na mente, e no movimento, quando a espada ganha sua força a
partir do aço duro e suave. O estudante pratica cada vez mais
sem se preocupar com a exatidão dos movimentos (embora devam
permanecer corretos e eficazes) e repete o katá sem interrupções
com um sentimento de Shinken Shobu (uma luta à morte com uma
espada real).
Durante esta fase a postura melhora, os movimentos tornam-se
mais naturais e as técnicas tornam-se mais eficazes e menos
previsíveis pois o sincronismo é controlado melhor. Enquanto a
confiança aumenta e Kigurai (rolamento) se afia, o treinamento
passa para a fase chamada Renshu.
3. Renshu
Ren significa lustrar, aperfeiçoar pela prática continuada do
keiko e tanren. Significa também lustrar o espírito e o caráter
com as exigências do detalhe e da interpretação. Isto produz um
Renshi, que é a pessoa cujo desempenho e caráter estejam
lustrados pelo treinamento. Após este estágio, as ações
tornam-se mais lentas e mais suaves, parecendo ser menos
eficazes - mas a técnica vem da eficiência refinada, não da
força - até o momento em que a espada estiver cortando
realmente, e o restante do corpo relaxado, mas constantemente
ciente e alerto na mente.
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Aiki-Shizentai18
O treinamento
para (se alcançar o) Aiki-Shizentai
Ordenar o kokyu de todo o corpo, fazer como se o centro de
gravidade perpassasse o centro do corpo; deixar todo sentimento
de preparo para ação; deixar corpo e espírito livre para a
natureza existente. No tempo certo, a energia concentra-se no
tanden. Será a postura de livre interação, isto é, o
Aiki-shizentai.
Se houver quem o toque será certamente desequilibrado. Isto é
porque o (a capacidade de) movimento naturalmente existente no
ser humano é ativado instantaneamente. É a manifestação da lei
do aikikokyu, do irimitenkan. Neste momento é importante não
deixar que uma autoconsciência desnecessária atrapalhe seus
movimentos. Normalmente, na ocasião dos treinos, nós agimos para
subjugar os oponentes, confiando inutilmente no uso da força.
Acreditamos que fazemos a técnica certa de modo certo e
forçamos. É difícil parar para refletir. Se a técnica não
entrar, pensamos que o problema está na técnica, não em nós. Nem
se tenta pensar que o que se faz são competições, matanças
mútuas, esforços e empenhos inúteis. Como em geral (as pessoas)
são sérias e sinceras, o conserto torna-se difícil.
Acredita-se que os mestres antigos de budo, apesar de em
diferentes representações, ditaram a importância do shizentai
verdadeiro. No Shinkageryu é instruído que onde há kamae
chama-se satsu (morte) e onde não há kamae chama-se katsu
(vida). Musashi desaconselhou firmemente que o corpo e o
espírito perdessem as suas naturezas. Estes ensinamentos são de
peso, por virem de pessoas que caminharam por campos de guerra e
sobreviveram a inúmeras batalhas de vida ou morte. De toda
forma, pode-se pensar que o aikishizentai é a fonte da
manifestação das técnicas do Aikido e, o atingir a realização de
sua autoconsciência seria o fim extremo, pergunto-lhes o que
achariam.
Sobre o treinamento de Daiikkyo
Conta-se que no Ittoryu, aquele que conseguisse inventar
(apreender) o corte da vitória certa, sendo aiuchi sem o ser,
obteria imediatamente a licença (menkyo), por mais iniciante que
fosse. Isso mostra a sua máxima importância, mesmo dentre todas
as técnicas de espadas, ditas de mil mudanças e dez mil
disfarces.
Acredita-se que o Aikidaiikkyo é a técnica que sempre está à
altura do importante significado que traz. Desta vez penso em,
neste treinamento, enfocando nesse ponto, pesquisar o assunto.
Penso que (dessa forma), tanto o corte ittosetsudan (‘corte de
uma espada’), o omote-ura, o osae (chave) das mil mudanças e dez
mil disfarces, o nage tornar-se-ão mais claros.
Treinamento de
primavera do ano 61 da era Showa (1986)
Seigo Yamaguchi

